terça-feira, fevereiro 28, 2012

Reféns do espelho

 Vivemos buscando relações onde possamos receber sempre mais do que dar. Porque nos vale, mais do que amar, sermos amados, queremos ter  nossa beleza e virtudes reconhecidas.

Não queremos apenas a companhia e a troca de sentimentos e prazeres, queremos a idolatria, total redenção, queremos súditos...

E no alto desse pedestal, somos coroados pela solidão.

Nosso egocentrismo nos fez trocar o amor pela vaidade, e ficamos cada um diante do seu espelho frio, que reflete além do nosso rosto bonito, o nosso peito vazio.

Cada qual com o seu egoismo, contando os desencantos, colecionando histórias tristes e riscando os dias na parede do castelo de ilusão que criamos, onde somos reféns de nos mesmos...

Sem resgate, sem príncipe, sem final feliz... 



quinta-feira, fevereiro 23, 2012

Na gaveta...

Eu não sei onde as pessoas costumam guardar seus amores velhos,
os meus, eu guardo na terceira gaveta (de cima pra baixo),
junto dos brincos que eu perdi só um pé,
dos vidros de perfume vazios (que guardei por achá-los bonitos),
dos meus dentes de leite e outras coisas que não me servem mais...
Mas alguns, eu joguei fora porque a barata roeu.

sexta-feira, fevereiro 17, 2012

Júlia Maria de Todos os Sonhos


Se tua boca cala, é porque se engasgou com a própria fala,

Daí encerra com um sorriso, disfarça com um bico, depois recomeça com um grito.
É que tua palavra tem pressa e tudo tem que ser dito,
Para que nada seja esquecido e nem passe despercebido,
Mesmo que não faça sentido...
Um pensamento por segundo, um engarrafamento de idéias...
Uma menina que tem um mundo enorme lá fora pra conhecer 
E um universo sem limites dentro do coração.
Então vá, agora que sabe oque é "Liberdade",
Viaje!
Costure o mapa com pontos frouxos
E borde amores de mil cores!
Recite Cazuza, Chico e Pessoa,
Viva suas "amelices","clarices" e "alices"
Corra atrás do coelho,
Atravesse o espelho
E ultrapasse os limites!
Por fim, navegue, pois é preciso...
Vá, e quando quiser descansar,
Me encontre em Montauk...

Quando a vida canta, vira fado
Quando a vida canta e dança, vira samba
Quando a vida canta, dança e ama, vira Júlia...







Carta aberta a Débora Navega pelo aniversário de 18 Anos...

Aos treze anos (por favor, não façam as contas pra descobrir minha idade), minha mãe engravidou e eu queria muito que fosse um menino, por isso, até você nascer, eu te chamei de Arthur...


Minha mãe chegou da maternidade com uma criaturinha cor de rosa, pequena que parecia mais um filhote de rato, mas em pouco tempo virou um bebê louro, gordo de olhos claros, como os da capa da Pais&Filhos...

Seu nome de menina também foi escolhido por mim, era o nome da Personagem da Nathália do Vale na novela Olho no olho, ela era a mãe do Alef, e eu achava o nome mais lindo do mundo...

Nós tinhámos em casa uma menina de cachinhos louros e idéias maduras, muito precoces pra tão pouca idade, aos dois anos tinha Bon Jovi como ídolo, aos oito, enquanto todas as mininas eram fãs de Sandy & Júnior, você ouvia System Of Down...


Você nunca foi uma criança comum, parte por crescer com irmãos com grande diferença de idade e parte por ser um ser muito complexo por sí só...


Não faltaram as traquinagens infantis, como tirar a fralda descartável com cocô e passar em todas as paredes da casa e comer sabonetes pra fazer bolhas com a boca e conversar com os próprios dedos, fazendo vozes fininhas que deixavam o Rapha cheio de medo...


Porém, a menina que eu agora fazia parte da minha vida, muitas vezes se mostrou mais madura e tranquila diante de um mundo que meus olhos de adolescente via como uma coisa imensamente assustadora...


Daí pra frente muitas vezes o papel de irmã mais velha foi invertido e você passou a ser a única (única mesmo!) a saber tudo sobre mim, meus segredos, meus amores e meus pecados...
 
Me conhece como ninguém, adivinha tudo antes de eu falar e me fala de coisas que eu deveria te ensinar...



Já decifrar a sua pessoa, é tarefa para poucos, cabe aos atenciosos, sensíveis e livres de preconceito...


Porque é no seu silêncio que mora a sua verdade e é com os olhos verdes sob cílios pintados de roxo que você diz a que veio...


"- Eu vim colorir esse mundo cinza!


- Eu vim mudar oque está triste!


- Eu vim cantar sobre a liberdade onde a quietude do acômodo impera!


- Eu vi mostrar a beleza das coisas que vejo e te ensinar a vê-la também!"


Você é feita daquilo com que é feito os sonhos, uma mistura de sol de domingo, algodão doce, final feliz de filme, gliter e Rock and Roll...


Você veio pra minha vida pra eu sentir e viver um pouco disso tudo, você veio pra minha vida pra fazer ela ficar mais bonita!


Que bom que você veio...


Feliz aniversário!


Meu amor é infinito e imensurável e meu orgulho é o maior do mundo!


"... É só você quem deve decidir oque fazer pra tentar ser feliz..."

segunda-feira, janeiro 30, 2012

Pensando...

É final de janeiro, faz calor, mas de quando em quando chove.
Fiquei por um bom tempo só hoje, e fiquei pensando na vida...
Pensei nos últimos contratempos que tenho enfrentado,
e na minha fé, que tento parar de questionar...
Pensei na volta ás aulas do meu filho, no fim das férias
e nas contas que tenho a pagar...
Pensei em escrever sobre meu medo de escadas e linha de pipa,
e em comprar um barrão de chocolate e esconder na bolsa pra comer sozinha...
Pensei no quanto meus irmãos se parecem comigo e me entendem
e no quanto eu gostaria de ter nascido nos anos 60...
Hoje eu pensei em Jung, pensei na lua e na crise européia,
pensei no meu hematoma da coxa, e nas músicas do Radiohead...
Pensei sobre o tempo, loucura e morte...
Pensei na minha insônia, na minha mãe e em sapatos novos...
Mas entre todos esses pensamentos,
um insistia em reaparecer de cinco em cinco minutos.
E ele não vai embora...
Penso agora nas coisas que acabam antes mesmo de acontecer...
Algumas coisas são assim...

quinta-feira, janeiro 26, 2012

Confabulações...

   Sabe,acho que estou  meio chata...
È, ando profunda demais, cheia das reflexões e definições pessoais, sobre várias coisas que gosto, ou que me incomodam, e vários temas que de quando em quando me pego a discutir.
   Se pelo menos eu fosse "sabedoura das cousas da vida", mas não passo de uma reles contestadora anônima e revolucionária preguiçosa.
Sempre costumei questionar os hábitos e comportamentos alheios, e também os meus. Mas agora já estou partindo para análises piscicológicas, como se eu estivesse com um encosto freudiano.
Me pego até diagnósticando traumas e neuras, destacando os sintomas ou sugerindo supostas causas...
Devo isso ao velho hábito de constante observação do "bicho homem", do que ele realmente é, e principalmente do que ele tenta ser.
   E venho nesses dias quieta, estudando cá do meu canto os vivos, as vidas e as vivências. Atividade que afrouxam os poucos parafusos que me restam.
   De fato, a pior parte é aquela que tento expressar minhas observações e ainda por cima espero ser compreendida. Pueril e frustrante utopia...
Tento inúltimente dissertar minha visão absurdamente particular, (muitas vezes surrealista),
sobre o progresso, o regresso e o atual caos da sociedade.
   Partindo de mim , viajo por uma fonte farta e inesgótavel de situações e dados a serem  pesquisados e questionados , e não sou muito criteriosa quanto ao tipo ou relevância do assunto em questão.
   Me condiciono a argumentar, mentalmente quase sempre. As vezes escrevo, mas a maioria das minhas divagações trazem mais acidez que doçura. Não que eu me ache um "anjo de candura", mas é melhor não espalhar que tenho um lado sarcástico,muitas vezes venenoso...
Essa minha "viagem" dá mais barato do que qualquer droga sintética , logo me viciei,Talvez já tenha se tornado dependência, patologia.
e sigo indo e voltando, no mundo, nos outros e em mim...


-ilustrações de Rafael Silveira.

sexta-feira, agosto 26, 2011

Olhar a sua volta...

Nossa natureza egoísta nos leva sempre a pensar que nossos problemas são mais urgentes e importantes do que os problemas dos outros.
Nos supervalorizamos, esquecendo que nada na vida se consegue sozinho e que na verdade, somos todos iguais. Às vezes fortes, noutras fraco, às vezes por cima, noutras por baixo.
O egoísmo é um dos males mais evidentes e destruidores da nossa geração, haja visto a grande dificuldade que temos tido em nos relacionar, seja no campo amoroso, familiar ou profissional.
Até mesmo as amizades sinceras e verdadeiras, deram espaço a relações superficiais, baseadas em vários tipos de interesses, menos no companherismo.
Como capitalizássemos os relacionamentos, vizando sempre algum lucro ou vantagem, e não aceitando de forma alguma dar mais do que receber. Fazemos isso influenciados pelo orgulho e pela vaidade, irmãos inseparáveis do nosso vilão-tema, o egoísmo.
Infelizmente, pessoas sinceras, educadas e bondosas estão fora de moda, e na verdade, quando resolvem dar o ar da graça, são muitas vezes rejeitados e "zoados". Afinal, hoje em dia, parece cafona ser gentil, e honestidade é coisa de otário.
" Você tem que ser o melhor, o mais bem colocado, remunerado, assediado e exaltado, porque você merece mais do que todo mundo". Livros de auto-ajuda vendem milhões no mundo inteiro com slogans desse tipo, palavras mágicas com o suposto poder de transformar qualquer "da Silva" em um CEO de uma multinacional.
Todos queremos a receita pro sucesso individual, muitos tem essa meta acima de qualquer outra coisa. Passamos tanto tempo olhando para nosso próprio umbigo, tão preocupados com nós mesmos, que não lembramos de olhar a nossa volta e ver quem está do nosso lado, e oque acontece ao nosso redor.
Perdemos tantas oportunidades de fazer algo pelos outros, deixamos de aprender o verdadeiro sentido da vida, deixamos para atrás aqueles valores que deveriámos ter como base em todas nossas ações.
Quantas vezes você deixou de dar atenção para alguém, porque estava com pressa?
Há quanto tempo você não liga para aquele amigo que já quebrou vários galhos seus, vai esperar precisar dele de novo para procurá-lo?
Pense nos sorrisos que deixou de dar e em consequência nos que deixou de receber.
Reate os laços de amizade que você, com o tempo, permitiu que afrouxassem.
Não deixe de acreditar em histórias românticas, se permita, se entregue. Por que não sonhar com um romance de de filme, com todas as coisas bobas e fofas do amor?
Tente ter o coração aberto ao outro e aceitar as diferenças, e sem reservas declarar seu carinho a sua família e amigos.
Seja gentil com a vida e com o mundo, eles retribuirão.
Tenha mais paciência e mais tempo para os outros, tenha mais fé e acima de tudo, mais amor.
Quebre a corrente do egoísmo.
Não se envergonhe defazer a coisa certa.
Não há recompensa maior do que ter a consciência tranquila, é daí que vem a paz.

sexta-feira, junho 03, 2011

a garota colorida



...Encontrei essa garota numa fila pra pegar uma senha,
uma senha pra sentar e esperar,nem lembro mais oque esperávamos.
Ela mascava chicletes,falava sozinha e tinha os olhos inchados de sono,
mas estava longe de dividir comigo o tédio de estar ali...
até porque acredito que ela não estava ali de fato...
ria conversando com seus botões e o papo estava animado.
E por incrível que pareça não a julguei louca,
ela era um ponto colorido dentre centenas de pontos cinzas
que se distribuiam naquele enorme saguão...
tive imensa vontade de falar com ela,e com os botões também...
Ela revirava os olhos,mexia nos cabelos e sorria novamente,
sorria por nada e por tudo,
sorria por viver...
e numa fila enfadonha,num lugar sem ar condicionado,
cheio de gente chata como eu...
ela tinha a ousadia de se abrir em largos sorrisos...
e isso me isntigou.
Mas uma hora a fila terminou...
eu saí dali primeiro,mas não consegui ir embora...
fiquei numa praça em frente ao prédio,
estático,esperando aquela garota sair de lá...
comprei água,sentei esperei...
não queria água,mas sim pelo menos um gole multicor da vida dela...
Droga! ela saiu e eu estava distraído observando
um pombo albino no meio de tantos rajados de preto azulado.
Ela já estava dobrando a esquina quando disparei atrás dela...
ela ia em passos leves e longos e eu com meu tênis de sola mais que gasta,
suava para acompanhá-la, reparando que ela era mais viva e colorida em movimento...
tinha o sol nos cabelos ,e uma beleza maior do que traços bem feitos,
tinha tempestade nos olhos,e toda paz do mundo no sorriso...
E eu quis chegar mais perto...
ela parou diante de uma antiga livraria,escura e mofada,
lançou mão dum dos livros da banca de orfertas,
o alisou ,o abriu e por fim,o cheirou e pra colorir a cena,sorriu...
o sorriso mais fácil e lindo que já vi,e esse sorriso me chamou, e eu o atendi...
me aproximei e fingi me interessar pelos livros velhos que ela acarinhava,
a olhei pelo cantinho do olho,ela cantava...
tentei falar com ela,mas nada saiu além de um grunidinho
que disfarcei com uma falsa tosse provocada pela poeira local...
ela escolheu um exemplar esfolado,"a hora da estrela"...
se aproximou do balcão( acho que não preciso fala que ela estava sorrindo nesse momento),
boa tarde!!!! vou levar esse aqui!
abre a bolsa,dinheiro ,troco,livro numa sacola,
fecha bolsa,novo sorriso e despedida cordial...
e já se ia novamente pelas tumultuadas calçadas do centro,
desce as escadarias do metrô,saltitando,criança,sorri,e some num dos trêns...
que eu nem sei pra onde vai...
Nem fiquei sabendo seu nome,mas fiquei com suas cores,
depois disso nunca mais fui " preto e branco"