segunda-feira, setembro 03, 2012

Setembro

Na primavera você voltará pra mim, porque alguns amores dormem durante o inverno e despertam no mês das cores.
Teremos mais sol e mais tempo pra falar do tempo que perdemos, por isso passaremos as próximas noites acordados.
Seremos a cura da falta que sentimos um do outro.
Mãos dadas, corpos entregues, sorrisos soltos.
Teremos a liberdade de sermos nós.
Na primavera você voltará pra mim, porque o amor resistiu ao escuro e o frio e você ainda precisa de mim pra se entender.
Virando a estação, eu voltarei pra você, porque oito meses não foram suficientes pra eu te esquecer e eu nunca precisei tanto do seu colo.
A vida espera setembro pra ficar mais bonita, as plantas esperam essa época pra se abrirem em flores, e eu espero você.
 

 

sexta-feira, agosto 17, 2012

Controlo bem a fome e a vontade de fazer xixi
Seguro a raiva e consigo tolerar gente chata por um bom tempo
Nem o calor, nem o frio me incomodam muito
Convivo bem com os meus medos
Ando até bem confortável com a minha insônia
Tenho paciência pra arrastar a segunda-feira até o fim dela
E também acho graça na repetição monótona da rotina
Consigo lidar bem com muita coisa que me incomoda
Mas viver sem amor, é chato, enfadonho e cansativo
Viver sem amor é insuportável 


 

terça-feira, agosto 14, 2012


 

 

 

 

   

 

 

 

 

 

Escrevo porque falo pouco

Quando falo, falo sem saber

E do que falo, quase nada sinto

Do que sinto, quase nada falo

Escrevo porque sinto muito

E meu peito é pouco para caber

Se me calo, eu não minto

Há vantagens no silêncio

Mas também agonias profundas

Amores contidos e frio

Há muito frio no silêncio

Escrevo porque frio sinto

Escrevo, me esvazio e me recrio

E me aqueço no morno intervalo

Entre um silêncio e outro

 
Um casal anda á minha frente, anda rente, lado a lado
e as mãos penduradas, próximas, já não se dão.
Se sentem, se alinham pendulando na mesma direção.
Mas já não se buscam, não se alcançam e apesar de estarem perto,
faltam uma a outra.
Acenam o tchau, dão sinal para o ônibus, seguram nos ferros sujos
e nos encostos dos bancos.
Então, as mãos sozinhas, se revezam segurando a bolsa que mãos de ninguém 
se ofereceram para levar.
Mãos agora um par para cada lado, se fecham com dedos suados a caminho do trabalho, 
onde pelo dia longo e sem descanço, terão água, cimento e sabão como companhia.

Eu sou a dona da rua,
das mangueiras em flor e do cheiro que vem delas.
Também sou dona dos cães sem dono que espalham o lixo nas calçadas.
Sou dona dos postes tortos, das lâmpadas queimadas e do escuro embaixo delas.
Sou dona do vento frio, das folhas secas e do barulho que faz quando elas caem nas telhas.
Sou dona até das lagartixas que correm as paredes das casas velhas e do musgo que tomou conta dos muros.
Sou dona dessa noite e das horas sem sono de que ela é feita.
Me sento num canto da madrugada, entre uma da manhã e os gatos no cio,
puxo uma ponta do céu negro veludo e costuro nele, meus cadentes amores inventados.
E dos amores, que saem de mim, voam por aí, e caem onde não posso ve

Só vejo que sou tão dona deles, quanto de mim donos eles são.

domingo, abril 08, 2012

Imensurável

Não tenho medidas

O dia é curto e minhas idéias compridas

Não tenho medida

Na minha receita, perco a conta das xícaras

Não tenho medidas

Transbordo de emoções contidas

Eu não tenho medidas

Para me caber, preciso de mais duas ou três vidas



quinta-feira, março 29, 2012

Hoje resolvi escrever sobre o hábito-vício que alimento diariamente: observar pessoas.

O caminho de ida e volta do trabalho é um prato cheio, mas é dentro do ônibus que essa mania vira compulsão.

Os ônibus que pego, são os que ligam a Zona Oeste do Rio a Barra da tijuca, e seus passageiros são as diaristas,vendedores, funcionários de supermercados, enfim, a maior parte da mão de obra que mantêm o famoso "bairro emergente" em atividade.

E nessa rotina de analisar o modo de vestir, o cabelo desbotado ,o jeito tímido de andar, me divirto com a ingênuidade de alguns e me assusto com a maldade estampada de outros...

Quase sempre alguém retribui meus olhares, com um certo estranhamento, me achando doida varrida com certeza, é que nem sempre consigo disfarçar.

As vezes fico estática fitando os rostos dessa gente que vem e que vai.

Tem gente feia, tem gente bonita e todas as variações que pode caber entre esses dois adjetivos.

Mas independente dos detalhes estéticos, a fisionomia de cada um me surge a frente como livros na estante pronto para serem abertos e decifrados.

A minha porta de entrada, como não poderia se outra, são os olhos, que tento atravessar e desvendar o mundo intimo de cada um.

O que ao mesmo tempo me encanta e me deprime, porque numa visão geral, todos me transmitem tédio, alguns parecem plácidos, outros inertes, mas a maioria tem um "que" de cansaço e solidão.

Quase não encontro ânimo e contentamento nessas caras de todo dia.

E ultimamente, com a popularização dos iPods e celurares com mp3, nem conversa de ônibus existe mais. O silêncio só é cortado pelos vendedores de bala que sobem e descem com seus textos prontos, vozes anasaladas e mais lamento do que simpatia...

Assumo que tenho preferência e presto mais atenção nas mulheres, nelas consigo ver um pouco mais de doçura, principalmente na hora da volta para casa. Percebo em algumas um certo "ar" de contentamento pela expectativa do breve encontro com os seus, mesmo quando sei que muitas delas não terão o descanso merecido descanso quando chegar, pois sempre terão uma tarefinha doméstica pra fazer, ou pelo menos a janta, com certeza ainda vai ter que aprontar...

Quando tem engarrafamento próximo ao Morro da Grota Funda, o atraso da viajem provoca uma sinfonia de telefones tocando.Gosto dessa parte, adoro quando alguém atende dizendo:_Oi amor!, já já to chegando, to subindo a serra, hân...tá...tá...beijo...tchau. E desliga o celular com um sorrizinho preso no canto da boca, fecha os olhos e encosta a cabeça na janela pra tirar um cochilo...

Aí fico pensado naqueles que não receberam nenhuma ligação, será que não tem ninguém pra se preocupar com eles? ninguém os esperando pra dividir espaço num sofá das Casas Bahia na hora da novela das oito?

Talvez por isso alguns não parecem satisfeitos em voltar pra casa, e seguem o destino da falta de opção... triste isso...

Triste mesmo é gente que chora no ônibus, acho que esse tempo, que não é tão curto, libera a mente pra pensar nos problemas, ou simplismente pra alguns não sobra tempo pra chorar noutra hora.

Certa vez vi uma moça chorar pelo fim do namoro, enquanto ouvia ininterrupitamente o pagode preferido do ex, tem amoça que chora porque não aquenta mais a pressão da gerente "mal amada" da loja de departamentos em que trabalha, e ontem vi um senhor chorando de dor pelo joelho inchado e inflamado que lhe impedia de subir as escadas de seu quitinete num conjunto habitacional em Santa Cruz.

Mas tem gente alegre também, são so que me ganham fácil, lembro de uma família na qual me detive por cinco minutos sem desviar a atenção Desciam pra Barra, pai e mãe de uns quarenta anos cada e uma filha linda de nove ou dez, me pareciam tranquilos e afáveis, trocavam carinhos e sorriam todo o tempo. Me tocou  o quanto pareciam estarem felizes pelo simples fato de terem uns aos outros...



terça-feira, março 20, 2012

MSP- Movimento dos Sem Paixão


Não lembro a última vez que tive um pensamento romântico,

meu coração anda seco e esturricado,

feito o solo do agreste...

Oque fazer, se não chove?

Pensei de me entregar á Reforma agrária,

já que não há semente que germine no meu latifúndio,

hectares inférteis, onde não crescem mais sonhos.

Assim, quem sabe,

essa terra devoluta,

valha alguma luta.

Me divido em lotes,

sem dotes,

sem emenda e

sem contenda.

Eu, terra de ninguém

me permito invasão.

Anuncio-me desapropriada,

por vontade própria.

Não venho cá falar de carência,

mas sim,

duma descrença tremenda.








































terça-feira, fevereiro 28, 2012

Reféns do espelho

 Vivemos buscando relações onde possamos receber sempre mais do que dar. Porque nos vale, mais do que amar, sermos amados, queremos ter  nossa beleza e virtudes reconhecidas.

Não queremos apenas a companhia e a troca de sentimentos e prazeres, queremos a idolatria, total redenção, queremos súditos...

E no alto desse pedestal, somos coroados pela solidão.

Nosso egocentrismo nos fez trocar o amor pela vaidade, e ficamos cada um diante do seu espelho frio, que reflete além do nosso rosto bonito, o nosso peito vazio.

Cada qual com o seu egoismo, contando os desencantos, colecionando histórias tristes e riscando os dias na parede do castelo de ilusão que criamos, onde somos reféns de nos mesmos...

Sem resgate, sem príncipe, sem final feliz...