domingo, fevereiro 28, 2010

             "aquilo que me obriga não faz parte de mim"

  
James Jean é um premiado ilustrador que vive em Los Angeles. Nasceu no Taiwan em 1979, emigrou para New Jersey e estudou na School of Visual Arts in New York City. Após a graduação em 2001, rapidamente tornou-se num dos mais aclamados ilustradores da actualidade, ganhando três Prémios Eisner consecutivos, um Prémio Harvey e a Medadlha de Ouro da Sociedade de Ilustradores de Los Angeles. Entre os seus cliente estão Time Magazine, The New York Times, Rollingstone, Spin, ESPN, Atlantic Records, Target, Playboy, Knopf, entre outros.vale a pena conhecer....

http://www.jamesjean.com/
Penso que:
50% das pessoas são amargas,
30% são azedas,
15% são realmentes intragáveis e 
5% ainda são doces,
sou feliz por conhecer um bom tanto delas!!!

quinta-feira, fevereiro 25, 2010


Pão com mortadela e Coca-Cola,verão de 89.
Tarde cinza quase noite,tomava o lugar do dia de sol laranja.
Chuva grossa e gelada cai depois de três trovões,
sobe cheiro de terra molhada.
Meu corpo tá cansado da farra na praia,
meu rosto tá corado e meu cabelo amarelado.
Aos oito anos eu estava feliz por ter tido tanta coisa boa naquele dia,
o mar, o sol, a chuva, o cheiro e a Coca-Cola...

terça-feira, fevereiro 23, 2010

Pessoas que eu conheci e nunca mais vi I

Na sexta-série conheci um garoto de sombracelhas falhadas,calças puídas e identidade sexual duvidosa.
Três anos mais velho que eu tinha uma vida mais que agitada e uma ficha corrida admirável.
Era menino ainda quando num acidente perdeu seu irmão, seu melhor amigo e mentor. E por quem mantinha uma eterna devoção;
Dele carregava como herança um 3x4 na carteira um casaco de flanela xadrez, uma coleção de  isqueiros velhos e a dor da falta;simbolizada por uma lágrima incrustada no canto do olho esquerdo, lágrima que não escorria, não secava e nunca ia embora.
Contudo, era uma pessoa doce, agradável e de um humor irônico que eu não vi em mais ninguém.
E eu me apeguei rapidamente a ele e seus segredos. Compartilhávamos o gosto pelas coisas simples, os pensamentos libertários e o prazer de nos sentirmos diferentes dos outros.
Depois das aulas,as vezes no horário delas,íamos pra uma praça próxima  e ficávamos conversando sobre quase tudo, música, astrologia, pais e mães, sonhos e pesadelos.
Em alguns momentos era o silêncio,eu e ele enfileirando os isqueiros no banco.
Nessas horas tínhamos a paz que nos faltava em casa.
Nos aceitávamos sem questionar ;
Nos ouvíamos sem sem julgar;
e sempre ríamos um do outro.
Quando minha vida começou a virar vida de "gente grande"e fechei os olhos com medo, ele me incentivou a abrir e encarar, crescendo como deveria ser.
Viramos dupla inseparável na escola dividíamos o lanche e a autoria de pequenas infrações, como esvaziar os pneus do fusca da professora de ciências.
Uma vez  me disse que o meu sorriso o aquecia como um pequeno sol particular,que tinha medo de ficar dependente dele e que as vezes queria levá-lo pra casa.
E em resposta sorri,deixando claro que o amava.
Por ele tive o amor mais puro e desinteressado que senti por alguém, o amei pelo o que ele era, sem idealizar e sem querê-lo pra mim.
Mas tais declarações  pararam por ali, de resto nos olhávamos, já sabíamos e era o suficiente.
Quando ele faltava à escola, oque era frequente, eu virava uma menina murcha e quieta encostada em qualquer parede.Nesses dias, eu ia dormir assim que chegava em casa,acelerando a chegada do dia seguinte.
Mas um dia eu dormi demais e perdi a hora, e quando acordei eu já tinha mais idade,um filho e novas responsabilidades.
E aquele garoto tinha ido embora, sem deixar pistas, nem um bilhete dizendo oque fazer agora.
E eu nunca mais soube dele e de suas botas manchadas.
De vez em quando me pego pensando nele, com saudades dessa amizade que ficou perdida no passado, entre a escola, a praça, nas ruas de um condomínios na barra da Tijuca.

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

Estou impressionada e indignada de ver milhões de pessoas se mobilizando para tirar uma suposta mau caráter de um realit show e não mover uma palha contra o mau caratísmo instalado e declarado no congresso nacional! pena mesmo...

Mas tudo bem,tá tudo lindo... é verão de 40 graus,a praia tá cheia, tem cerveja gelada e além de tudo carnaval tá aí!!! temos bastante plumas,paetês,Tamborins e mulher pelada para esconder toda sujeira,pra disfarçar a bagunça,é festa meu povo!!!!

sábado, janeiro 30, 2010

Saí pra encontrar Carlos


    Saí pra encontrar Carlos, sem marcar ou ligar, porque sabia onde estaria.
    O sol já fraco de quase seis dividia a tarde com um vento leve e constante, quando do fim do calçadão avistei Carlos sentado na praia da Macumba, com sua prancha fincada na areia enquanto olhava as ondas arrebentando na pedra.
   Caminhei devagar as suas costas, me sentei ao seu lado e perguntei: - Quando vai tomar vergonha e comprar uma sunga nova?
-essa é a mais confortável de todas, além disso, essa cor realça meu tom de pele.
    Ele responde, me abraça me beija a bochecha e diz que engordei, e sabe disso porque meus peitos ficam mais redondos, e completa dizendo que fico melhor assim.
-Como sabia que eu estaria aqui?
-Verão de janeiro, o que tem mais pra se fazer a essa hora por aqui?
-E se eu não estivesse?
-Esperaria, eu sei que você viria...
-Bruxa!
    Ele elogia meu esmalte lilás, depois deita a cabeça nas minhas coxas as ajeitando como se fossem almofadas. E falamos sobre filhos, sobre os livros do Bauman, depilação masculina, o novo zodíaco, sobre os ex e as tatoos que ainda não fizemos.
    Na verdade, na presença dele reabasteço meu estoque de bom humor, o otimismo e a paixão pela vida, coisas que eu não posso comprar quando acaba, como faço com o shampoo, e nem encontro fácil por aí, poucas pessoas conseguem me devolver o ânimo e melhorar meu astral como Carlos faz.
   O quiosque atrás da gente tocava um pagode antigo, e nós bebemos um Guaracamp enquanto lhe contei um sonho que estava se repetindo a uma semana, nesse sonho eu me via perdida num laranjal infinito, carregava as laranjas colhidas na saia do vestido e sempre acordava sentindo o cheiro delas. 
Pensamos em algumas definições freudianas, então ele lembrou que para os orientais, sonhos com laranjas anunciavam casamento rico, rimos e optamos por acreditar num recado do meu inconsciente pra que eu tomasse mais suco natural, e largasse de vez a coca cola.
   Dividimos em silêncio um instante de paz diante do mar e o sol se fez tão pouco que as luzes começaram a se acender.
   Desfrutei um pouco mais da alegria infantil que sinto quando encontro Carlos, enquanto ele me acompanha até a entrada do Terreirão, onde fica o ponto mais próximo. O ônibus vem, abraço, beijo e tchau.
Passo pela roleta enquanto o ônibus dobra a esquina, e vejo Carlos sumir na Estrada do Pontal, com sua bicicleta e sua prancha amarela.