quinta-feira, fevereiro 04, 2010
sábado, janeiro 30, 2010
Saí pra encontrar Carlos
Saí pra encontrar Carlos, sem marcar ou ligar, porque sabia onde estaria.
O sol já fraco de quase seis dividia a tarde com um vento leve e constante, quando do fim do calçadão avistei Carlos sentado na praia da Macumba, com sua prancha fincada na areia enquanto olhava as ondas arrebentando na pedra.
Caminhei devagar as suas costas, me sentei ao seu lado e perguntei: - Quando vai tomar vergonha e comprar uma sunga nova?
-essa é a mais confortável de todas, além disso, essa cor realça meu tom de pele.
Ele responde, me abraça me beija a bochecha e diz que engordei, e sabe disso porque meus peitos ficam mais redondos, e completa dizendo que fico melhor assim.
-Como sabia que eu estaria aqui?
-Verão de janeiro, o que tem mais pra se fazer a essa hora por aqui?
-E se eu não estivesse?
-Esperaria, eu sei que você viria...
-Bruxa!
Na verdade, na presença dele reabasteço meu estoque de bom humor, o otimismo e a paixão pela vida, coisas que eu não posso comprar quando acaba, como faço com o shampoo, e nem encontro fácil por aí, poucas pessoas conseguem me devolver o ânimo e melhorar meu astral como Carlos faz.
O quiosque atrás da gente tocava um pagode antigo, e nós bebemos um Guaracamp enquanto lhe contei um sonho que estava se repetindo a uma semana, nesse sonho eu me via perdida num laranjal infinito, carregava as laranjas colhidas na saia do vestido e sempre acordava sentindo o cheiro delas.
Pensamos em algumas definições freudianas, então ele lembrou que para os orientais, sonhos com laranjas anunciavam casamento rico, rimos e optamos por acreditar num recado do meu inconsciente pra que eu tomasse mais suco natural, e largasse de vez a coca cola.
Dividimos em silêncio um instante de paz diante do mar e o sol se fez tão pouco que as luzes começaram a se acender.
Desfrutei um pouco mais da alegria infantil que sinto quando encontro Carlos, enquanto ele me acompanha até a entrada do Terreirão, onde fica o ponto mais próximo. O ônibus vem, abraço, beijo e tchau.
Passo pela roleta enquanto o ônibus dobra a esquina, e vejo Carlos sumir na Estrada do Pontal, com sua bicicleta e sua prancha amarela.
quinta-feira, janeiro 28, 2010
sábado, janeiro 02, 2010
sábado, dezembro 26, 2009
Review DVD: Jay Vaquer - Alive in Brazil
O nosso cenário musical quando se fala em Rock/Pop caminha para um caminho cada vez mais sombrio. Bandas fabricadas pelas mídias aparecem todos os dias, porém a sonoridade das mesmas quase nada se difere uma das outras . No meio de toda essa decadência absoluta, encontramos Jay Vaquer, que se destaca exatamente por fazer algo diferente, crítico e com uma sonoridade consistente que passeia entre o Rock e o Pop com êxito.
Como ainda está longe das rádios e da grande mídia, eu conheci o trabalho de Vaquer a partir de 'Formidável Mundo Cão', seu último trabalho de estúdio até agora, e na minha opinião o mais consistente também, principalmente pelas baladas mais bem acabadas. Como disse a própria 'Rolling Stone Brasil' na crítica de 'Formidável....: "Se Jay fosse um artista internacional, os brasileiros o aclamariam". E isso é a mais pura verdade. Desafiando gravadoras e a sedução de vender o seu trabalho como os outros, Jay hoje é um sobrevivente. Suas letras falam de amor e críticas muito bem construídas e inteligentes.

Mesmo não tendo o total reconhecimento do país, Jay Vaquer tem seu público cativo, não é uma platéia tão grande, mas é expressiva e resultou em 'Alive in Brazil', já disponsível em DVD e CD e num futuro próximo em Blu-Ray. Como diz o Faustão: 'Quem sabe faz ao vivo', foi exatamente o que Jay fez, um DVD e CD ao vivo que traz toda a energia do músico nos palcos. Para fãs de bom e velho Rock/Pop, prepare-se para se emocionar com as versões ao vivo de "Me tira daqui", "A Miragem", "Cotidiano de um casal feliz", "Pode Agradecer", "Formidável mundo cão", todas com versões matadoras para nenhum rocker botar defeito. A banda que acompanha Vaquer também é um show a parte. Os caras são: Vini Rosa (Guitarra), Alexandre Katatau (Baixo), João Viana (Bateria), Renato Fonseca (Teclados) e Sérgio Morel (Guitarra), esses são os caras que mantém o som de Jay coeso e empolgante do início ao fim.
Como ainda está longe das rádios e da grande mídia, eu conheci o trabalho de Vaquer a partir de 'Formidável Mundo Cão', seu último trabalho de estúdio até agora, e na minha opinião o mais consistente também, principalmente pelas baladas mais bem acabadas. Como disse a própria 'Rolling Stone Brasil' na crítica de 'Formidável....: "Se Jay fosse um artista internacional, os brasileiros o aclamariam". E isso é a mais pura verdade. Desafiando gravadoras e a sedução de vender o seu trabalho como os outros, Jay hoje é um sobrevivente. Suas letras falam de amor e críticas muito bem construídas e inteligentes.
Mesmo não tendo o total reconhecimento do país, Jay Vaquer tem seu público cativo, não é uma platéia tão grande, mas é expressiva e resultou em 'Alive in Brazil', já disponsível em DVD e CD e num futuro próximo em Blu-Ray. Como diz o Faustão: 'Quem sabe faz ao vivo', foi exatamente o que Jay fez, um DVD e CD ao vivo que traz toda a energia do músico nos palcos. Para fãs de bom e velho Rock/Pop, prepare-se para se emocionar com as versões ao vivo de "Me tira daqui", "A Miragem", "Cotidiano de um casal feliz", "Pode Agradecer", "Formidável mundo cão", todas com versões matadoras para nenhum rocker botar defeito. A banda que acompanha Vaquer também é um show a parte. Os caras são: Vini Rosa (Guitarra), Alexandre Katatau (Baixo), João Viana (Bateria), Renato Fonseca (Teclados) e Sérgio Morel (Guitarra), esses são os caras que mantém o som de Jay coeso e empolgante do início ao fim.
Vale destacar também as belas baladas: "Por um pouco de paz", "Preciso poder", "Num labirinto" e "Quando fui Fred Astaire". O título 'Alive in Brazil' é praticamente um desabafo das dificuldades que o bom músico tem para divulgar um trabalho sincero e honesto sem precisar apelar para o fácil. O show parece até mesmo uma Ópera-Rock, exatamente pelo cenário bem elaborado, com televisões e caixotes que são montados como se fose o muro de 'The Wall' do Pink Floyd, e os caras vestidos com cabeças de porcos decoram o show. Sem contar em "Cotidiano de um casal feliz", o cantor aparece suspenso no teto do cenário por cabos como no clipe, enriquecendo ainda mais o show. O final com 'Tal do amor' é ainda mais memorável, que termina com o coro de uma platéia de jovens saudáveis, que cantaram todas as músicas junto com Jay.
'Alive in Brazil' teve somente uma participação em 'Estrela de um céu nublado', a cantora Meg Stock, ex-vocalista da banda Luxúria faz um belo dueto nessa que para mim, é uma das músicas mais legais de Jay, exatamente pela forte crítica. Enfim, um belo show para ser visto e revisto. Para quem ainda não conhece, é um belo DVD para ser presenteado no Natal para aqueles que apreciam a boa música, feita com sinceridade, algo tão raro nos dias de hoje. Jay tem uma ótima presença de palco, interpretando cada música com louvor. Jay Vaquer tem mesmo muito o que dizer e que as dificuldades que aparecem em sua carreria sejam apenas mais obstáculos que sejam derrubados com o melhor de suas letras e melodias.
fonte: Ocean of Noise
domingo, dezembro 20, 2009
Mastigando esses dias devagar,consigo digerir quase tudo, a falta de tempo, falta de alento e falta de sol.
E o que me prende na garganta,desce com a Coca-Cola sem gás.
Tanto fez,tanto fiz e tanto faz,se já foi feito tudo errado mesmo.E a consequência não é castigo,é resgate.
Mas tenho os meus anjos,os que estão agora ao meu lado e os do céu,e luz suficiente para clarear esse trecho sombrio e me guiar pelo resto do caminho.
E o que me prende na garganta,desce com a Coca-Cola sem gás.
Tanto fez,tanto fiz e tanto faz,se já foi feito tudo errado mesmo.E a consequência não é castigo,é resgate.
Mas tenho os meus anjos,os que estão agora ao meu lado e os do céu,e luz suficiente para clarear esse trecho sombrio e me guiar pelo resto do caminho.
Meu maior esforço é para não perder a graça,que vejo,que sinto,que tenho e faço...porque tenho uma família mais que especial e amigos de verdade,e nada vale mais do que isso...
sexta-feira, novembro 20, 2009
Brilho eterno de uma mente sem lembranças
Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiii, não consigo sair desse filme,e ele não sai de mim...
Esta fantasia surreal revestida de comédia romântica, mas que poderia ser, também, classificada como alguma forma de "ficção científica", nos prende pelo inusitado da coisa, das situações, das relações impressas no filme...
A história nos é contada de forma irregular, sendo que só vamos entender realmente o sentido de tudo do meio para o fim... quando na verdade o fim é um pedacinho do início e vice-versa...!
O mais intrigante, a meu ver, tirando o fato das próprias situações inusitadas que ocorrem no decorrer do filme, é a questão insidiosa acerca de como as coisas realmente são, com as pessoas, em termos de relações e relacionamentos...
Você realmente "apagaria" a lembrança de alguém da sua vida, se pudesse? Você gostaria de simplesmente acordar um dia sem qualquer referencial de uma "fração" de sua vida, a modo de "se poupar" de desgastes e sofrimentos - que são inerentes no processo de auto-conhecimento? E, mais teorica e aprofundadamente, será que mesmo uma pessoa, uma lembrança (ou várias) apagada de sua memória, o impediriam de ter alguma resposta emocional a lugares, situações ou até mesmo ao rever aquela pessoa que um dia te interessou e fez teu coração bater de forma diferente...??! São coisas que se pode pensar à partir do filme...
Mas Charlie Kaufman mostra em sua obra,que se existe um amor,e ele é de fato verdadeiro,por mais que se queira e tenha motivos para apagá-lo,você não consiguirá...
Aiiiiiiiiiiiiiiiiiii, definitivamente,é a minha cara,engraçado,inconstante, pacional e sempre tentando esquecer...
Esta fantasia surreal revestida de comédia romântica, mas que poderia ser, também, classificada como alguma forma de "ficção científica", nos prende pelo inusitado da coisa, das situações, das relações impressas no filme...
A história nos é contada de forma irregular, sendo que só vamos entender realmente o sentido de tudo do meio para o fim... quando na verdade o fim é um pedacinho do início e vice-versa...!
O mais intrigante, a meu ver, tirando o fato das próprias situações inusitadas que ocorrem no decorrer do filme, é a questão insidiosa acerca de como as coisas realmente são, com as pessoas, em termos de relações e relacionamentos...
Você realmente "apagaria" a lembrança de alguém da sua vida, se pudesse? Você gostaria de simplesmente acordar um dia sem qualquer referencial de uma "fração" de sua vida, a modo de "se poupar" de desgastes e sofrimentos - que são inerentes no processo de auto-conhecimento? E, mais teorica e aprofundadamente, será que mesmo uma pessoa, uma lembrança (ou várias) apagada de sua memória, o impediriam de ter alguma resposta emocional a lugares, situações ou até mesmo ao rever aquela pessoa que um dia te interessou e fez teu coração bater de forma diferente...??! São coisas que se pode pensar à partir do filme...
Mas Charlie Kaufman mostra em sua obra,que se existe um amor,e ele é de fato verdadeiro,por mais que se queira e tenha motivos para apagá-lo,você não consiguirá...
Aiiiiiiiiiiiiiiiiiii, definitivamente,é a minha cara,engraçado,inconstante, pacional e sempre tentando esquecer...
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